Rua Gomes de Carvalho, 1356 - 2º andar, E.58
Vila Olímpia – São Paulo – SP | CEP: 04547-00​5
Fone: +55 11 3995-5210​

Larissa Wachholz, vice-presidente do IRELGOV, fala sobre mercado de trabalho no setor de relações governamentais e aponta carência de profissionais de relações internacionais, especializados em China

                                     

 

Analista Internacional aponta carência de profissionais especializados em China e fala sobre mercado de trabalho em Relações Governamentais

 

Referência na relação entre Brasil e China, a analista internacional Larissa Wachholz é Sócio-Diretora de uma empresa de consultoria em negócios internacionais que atua, sobretudo, com investimentos sino-brasileiros. Para ela, esse é um mercado potencial que carece de profissionais de Relações Internacionais capacitados. “São pouquíssimos os especialistas em China no Brasil. O Brasil é o quarto maior destino de investimentos chineses no mundo, e a China é nosso maior parceiro comercial”, explica.

Em entrevista exclusiva ao What’s Rel?, Larissa, que é vice-presidente do Instituto de Relações Governamentais, fala também sobre a expansão desse campo de trabalho. “Foi positivo termos visto, mesmo em tempos de crise, que o setor [de relações governamentais] continuou contratando”. Contudo, argumenta de que é necessário que se dê mais transparência para que essa área profissional se desenvolva, inclusive com a legalização do lobby.

Graduada em Relações Internacionais, mestre em Estudos Contemporâneos sobre a China pela Renmin University of China, Larissa tem especialização em Relações Governamentais pelo INSPER e em Finanças Corporativas pela Universidade de Pequim em parceria com a London School of Economics & Political Science. Residiu na China entre 2008 e 2013. Responsável por prestar suporte a clientes brasileiros e chineses, Larissa atuou em negociações com parceiros, fornecedores, instituições financeiras e autoridades governamentais. Como sócia do Grupo Vallya desde 2013, Larissa é responsável pela estruturação e negociação de diversos projetos de fusões e aquisições internacionais e pela condução de projetos de Relações Institucionais.

Confira a entrevista completa abaixo.

Recentemente, em entrevista ao jornal Valor Econômico, você afirmou que a reputação do profissional de Relações Governamentais está mudando para melhor, sobretudo no mundo corporativo. Como está o cenário atual desse campo profissional?

A crise política e reputacional pela qual passamos chamou a atenção das empresas para a importância de se ter um setor de relações governamentais estruturado e profissionalizado. A profissão ainda é vista com restrição por aqueles que não conhecem bem o nosso trabalho, por isso, é preciso ser bastante transparente sobre o que fazemos e como fazemos. Foi positivo termos visto, mesmo em tempos de crise, que o setor continuou contratando. Recebemos ofertas de vagas semanalmente.

Quando falamos de relações governamentais é inevitável que venha à tona o debate ético sobre a interação entre a esfera pública e privada, principalmente nesse momento conturbado da política nacional. Você acredita que a legalização e regulamentação do lobby pode trazer mais transparência?

Sim, eu acredito que a regulamentação do lobby terá um efeito positivo para a profissão e solucionará temas que são necessários ao dia a dia da interação público-privada e sobre os quais não há clareza atualmente, por exemplo, a questão da proposição de emendas aos parlamentares. Considero essencial que isso seja visto como algo natural à democracia. Nenhum tomador de decisão, em nenhuma área, jamais terá conhecimento suficiente sobre cada tema com o qual lida cotidianamente a fim de, sozinho, normatizar a questão levando em conta todos os seus possíveis efeitos. É trabalho do profissional de relações governamentais contribuir a esse mapeamento e ajudar a construir soluções. Até o momento, nas propostas existentes, não vi elementos que efetivamente tragam mais transparência ao processo de lobby em si, por exemplo, publicação das minutas de reunião, correspondências trocadas com partes interessadas, etc, como se vê, por exemplo, nas instituições europeias. De qualquer forma, acho importante a regulamentação como mais uma forma de mostrar à sociedade o que fazemos. É muito importante que sejamos claros sobre o nosso trabalho de lobby, para que a sociedade compreenda que o fazemos contribui ao fortalecimento do diálogo democrático.

Assim como você, é comum que analistas internacionais atuem com relações governamentais e institucionais. Quais características e competências o profissional de RI deve desenvolver para atuar nessa área?

A formação em relações internacionais é bastante ampla e forma profissionais com uma visão interessante de conjunto, o que é fundamental para a área de relações governamentais. As competências a serem desenvolvidas, que normalmente o curso de RI não cobre integralmente, incluem: política interna; funcionamento do Congresso Nacional; formação de políticas públicas; negociação. É preciso, ainda, debruçar-se sobre as questões específicas de cada segmento em que irá atuar.

Você residiu por 5 anos na China, entre 2008 e 2013. Quais motivos te levaram ao país e que tipo de trabalho você desenvolveu?

O que me moveu a mudar para a China foi o desafio que isso representava e o interesse pelo diferente. Eu já havia feito o que considerava “convencional”: tinha passado um tempo nos Estados Unidos e um tempo na França. Era fluente nos dois idiomas estrangeiros. Fiz amizade, então, com duas irmãs que viraram minhas grandes amigas e que estudavam chinês, cuja mãe trabalhava com negócios sino-brasileiros. A mãe dela me contratou como estagiária e, ao término da graduação, eu recebi a proposta de me mudar para a China para trabalhar em um projeto com a APEX Brasil. Nos meus primeiros seis meses de China, viajei por quase 30 cidades. Conheci o interior do país antes de conhecer as maiores cidades, Pequim e Xangai. Foi uma experiência maravilhosa. Ao término dos primeiros seis meses e do projeto, fui convidada a ficar no escritório da empresa em Pequim, focada na realização de negócios entre empresas brasileiras e chinesas. No ano seguinte comecei um mestrado na Renmin University of China, em Estudos Contemporâneos da China, que fazia em conjunto com o meu trabalho. Acabei ficando na China por cincos anos.

Levando em conta sua experiência na China, quais sãos os pontos positivos e negativos de deixar o Brasil e trabalhar em um país culturamente tão distante do nosso?

Os pontos positivos são inúmeros. Praticamos a tolerância, o desapego, aprendemos a pensar fora da curva, a nos comunicarmos em outros idiomas. Os pontos mais difíceis são a distância de seus queridos e o desafio de conciliar carreiras internacionais para ambos os cônjuges, quando se trata de um casal.

Atualmente você é Sócia Diretora do Grupo Vallya, que presta consultoria em negócios internacionais. Você poderia nos apresentar melhor a empresa?

A Vallya é uma boutique de negócios e relações institucionais que tem o diferencial de uma excelente capacidade de distribuição de projetos no mercado asiático, em especial na China. Assessoramos empresas brasileiras na busca por parceiros e investidores internacionais e em seu processo de internacionalização. Atuamos, ainda, com investidores estrangeiros buscando projetos e parceiros no Brasil.

Você poderia nos descrever um pouco das suas atividades e rotinas?

Sou responsável pela organização de road shows para clientes e, por isso, mantenho um forte relacionamento com investidores internacionais. Preciso estar constantemente informada sobre oportunidades de negócios, tendências, questões políticas e macroeconômicas.

Sendo a relação Brasil e China uma de suas especialidades, você acha que o profissional de RI deveria se aprofundar nos estudos da relação com a China?

São pouquíssimos os especialistas em China no Brasil. O Brasil é o quarto maior destino de investimentos chineses no mundo, e a China é nosso maior parceiro comercial. O potencial de negócios sino-brasileiros é imenso, mas não é fácil concretizar os projetos. A China é longe, a língua é uma barreira e os custos logísticos são altos.

Grande parte dos nossos leitores são estudantes ou recém-formados. Quais dicas você daria para quem está por começar a carreira e que deseja atuar na sua área?

Seja fluente em línguas estrangeiras, proativa, bem informada e, principalmente, esteja disposta a começar de baixo.

 

Site: www.whatsrel.com.br
Publicado em 20/07/2017

AGENDA