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Perspectivas para o Mercado e para o Profissional de Relações Governamentais

 

   

Por Rodrigo Navarro

 

 

A atividade de representação de interesses do setor privado perante o setor público é denominada de variadas formas, sendo a mais comum “lobby”. A partir de 19/02/18, porém, a área obteve um marco significativo: a inclusão pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) da denominação “RIG – Profissional de Relações Institucionais e Governamentais” na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações).

A definição trazida pelo MTE para os profissionais de RIG coloca-os como aqueles que “…atuam no processo de decisão política, participam da formulação de políticas públicas, elaboram e estabelecem estratégias de relações governamentais, analisam os riscos regulatórios ou normativos e defendem os interesses dos representados[1]”.

Mais que a importância de uma sigla que deverá uniformizar seu uso e aprimorar as estatísticas oficiais, a relevância maior vem do reconhecimento de uma série de competências específicas (91, para ser preciso[2]) que foram mapeadas e consolidadas como componentes dessa atividade.

Temas como estratégia, negociação, análise de tendências e cenários, promoção de imagem e reputação, relacionamento com mídia, escuta ativa, liderança de equipes de alto desempenho, acompanhamento de questões públicas, gerenciamento de riscos regulatórios e relacionamento interpessoal são apenas alguns exemplos que aparecem em RIG.

Esse marco veio ao encontro da evolução que a atividade vem sofrendo, sob o prisma de reconhecimento de sua importância estratégica.

De uma necessidade inicial – e muitas vezes tida erroneamente como suficiente – desse profissional apresentar um bom network, aos poucos foi sendo percebida a necessidade dessa boa rede de contatos ser acrescida pelo componente de experiência, de preferência em diferentes setores de atuação. Finalmente, chegamos ao estágio de acrescer a um bom network e robusta experiência o conhecimento específico: exatamente as competências que esse profissional deve apresentar para desempenhar a atividade de maneira otimizada.

Atualmente, a oferta de cursos de curta e média duração, assim como MBAs, em diferentes instituições, buscam suprir essa demanda crescente.

Tal é a complexidade de RIG que é comum algumas pessoas menos familiarizadas com a atividade chegarem a chamar esses profissionais de “super-heróis”. Não se trata disso. Trata-se de ter profissionais devidamente capacitados para exercer essa atividade e devidamente reconhecidos pelo mercado e pelas demais partes envolvidas em sua condução. A regulamentação da atividade, atualmente em análise mais acelerada em diferentes frentes no Congresso brasileiro, também contribuirá para esse movimento.

Esse reconhecimento chega às empresas na forma de busca por profissionais que apresentem as características descritas acima: network + experiência + conhecimento específico. A compensação total oferecida é assim compatível com a importância do cargo, que começa a ser mais comumente encontrada no C-level da empresa, com novas nomenclaturas como CEEO – Chief External Engamenent Officer ou CLO – Chiel Liason Officer.

Ou seja, ao invés da prática muitas vezes ainda comum de “pendurar” essa atividade (quando existente) como parte de outras áreas do organograma como Jurídico ou Comunicação (que até podem compartilhar algumas competências de RIG, mas não as apresentam em sua totalidade), a explicitação desse conjunto único de competências passa a indicar uma tendência de abertura de um relevante espaço para os profissionais devidamente capacitados de RIG.

Por certo, outros pontos em desenvolvimento crescente como a influência de novas tecnologias na atividade de RIG em si, sobre seus praticantes e seus públicos-alvo, certamente contribuirão ainda mais para a necessidade – e velocidade – de capacitação de profissionais nessa área.

De qualquer forma, podemos afirmar que a atividade de RIG sofrerá ainda mudanças profundas tanto em sua essência, como em seus processos, mas continuará sendo altamente estratégica e demandará cada vez mais profissionais capacitados que serão devidamente valorizados pelo mercado.

 

Rodrigo Navarro é coordenador e professor do MBA em Relações Governamentais da FGV Rio e Brasília. Presidente Executivo da Abramat – Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção.

 

Referências:

[1] Fonte: http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTituloResultado.jsf, acessado em 05/03/18

[2] Ver a lista completa de competências de RIG em www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/FiltroTabelaAtividade.jsf, acessado em 05/03/18

 

 

“Artigo originalmente publicado na revista Diálogos IRELGOV, edição de março de 2018. Acesse o conteúdo completo da revista no aqui
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