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IRELGOV – 2ª Fase da Pesquisa de Reputação dos Profissionais que exercem a atividade de Relações Governamentais

O Instituto de Relações Governamentais (IRELGOV) fez a divulgação dos resultados da 2ª fase da Pesquisa de Reputação do Profissional que exerce a atividade de Relações Governamentais, no dia 9 de novembro, em evento realizado na sede do TozziniFreire Advogados, em São Paulo. A abertura do evento foi feita por Luiz Fernando Visconti, sócio da TozziniFreire Advogados, e a apresentação dos dados da pesquisa por Valéria Café, conselheira do IRELGOV e superintendente de Vocalização e Influência do IBGC. O presidente do IRELGOV, Erik Camarano, moderou um debate sobre os resultados da pesquisa com a diretora de relações governamentais da Nestlé, Helga Meuser, com a superintendente de relações institucionais e governamentais do Itaú Unibanco, Luciana Schneider, e com o diretor de assuntos corporativos da Bayer, Christian Lohbauer. Veja a cobertura do evento de divulgação no link: http://bit.ly/2irySKh 

A primeira fase da pesquisa foi realizada em 2016, na qual foram feitas entrevistas individuais com 71 líderes das maiores empresas do país, entre diretores de Comunicação, Financeiro, Jurídico, além de Presidentes e Vice-Presidentes. 

Esta segunda fase foi realizada entre os profissionais que atuam diretamente na área de relações governamentais. 

A terceira fase, prevista para acontecer em 2018, irá avaliar o conhecimento e a percepção que os governos e poder público têm dos profissionais de atuam em relações governamentais.

 

 

Confira aqui a apresentação completa da pesquisa.

 

Reputação 

Os profissionais que exercem a atividade de relações governamentais enfrentam desafios para melhorar a imagem da sua atividade perante à opinião pública e esclarecer a importância do trabalho dentro das empresas. Apesar do cenário desfavorável, os profissionais estão otimistas e avaliam que houve melhoria na reputação da profissão. 

Ao serem questionados se a reputação do profissional vem mudando nos últimos anos, 60,51% responderam que houve mudança para melhor. Apenas 14,01% responderam que houve piora na reputação e 14,01% disseram que não houve alteração. Essa percepção positiva já havia sido identificada entre os líderes empresariais na primeira fase da pesquisa, no ano passado, quando 56% deles também diziam acreditar que a reputação dos profissionais de relações governamentais havia mudado para melhor. 

A articulação das empresas junto aos governos não é vista de forma positiva, reconhecem os profissionais que exercem a atividade de relações governamentais. Na pesquisa do IRELGOV, 66,24% responderam que o lobby não é bem visto. Esse dado vem de encontro a uma das pautas importantes do instituto, que é a melhoria da reputação da atividade de relações governamentais. “É especialmente importante a discussão da descriminalização do lobby”, afirmou o presidente do IRELGOV, Erik Camarano. 

Apesar de reconhecer percepção negativa do lobby, os profissionais da área dizem acreditar na importância e na legitimidade da atividade. Quase 80% dos respondentes entendem que é legítimo atuar em favor de interesses de uma organização mesmo que sejam contrários a interesses de outros grupos. 

 

Mercado 

O mercado de relações governamentais tem crescido e cada vez mais as empresas percebem a importância para seus negócios ter uma articulação estruturada com o poder público, não apenas as companhias que têm negócios com o governo. 

A pesquisa do IRELGOV mostra que 62% dos respondentes avalia que todas as empresas devem contratar profissionais para a área, pois todas são impactadas por decisões do governo. Essa necessidade de um departamento estruturado já havia sido identificada na primeira fase da pesquisa, realizada no ano passado, ouvindo presidentes e líderes de empresas. Nela, 45% dos dirigentes também haviam respondido que todas as empresas deveriam contratar profissionais de relações governamentais. 

 

Competências 

As atividades de relações governamentais extrapolaram a articulação com os governos, segundo a pesquisa do IRELGOV. Entre as suas principais funções, melhorar o ambiente de negócios para uma empresa ou setor foi indicado por 51,59% dos respondentes. A defesa dos interesses junto ao governo ficou em segundo lugar, com 31,21% das respostas. 

Neste quesito houve uma diferença de percepção em relação à opinião dos dirigentes empresariais, levantada na primeira fase da pesquisa. Propor, influenciar e contribuir com novas políticas públicas ou aperfeiçoar as existentes foi indicada como função principal dos profissionais na visão dos presidentes e líderes das empresas. 

Essa atuação direta na melhoria do ambiente empresarial se refletiu nas competências indicadas como importantes na função de relações governamentais. Na pesquisa do IRELGOV, 87,26% dos respondentes citou como característica que melhor define o profissional é ser estrategista. 

Atuar como facilitador (66,87%) e fazer gestão de crise (54,14%) também foram bastante citados entre as características do profissional. “Quando a gente olha para os bancos, o profissional que exerce a atividade de relações governamentais tem ganhado protagonismo na defesa de reputação”, informou a superintendente de relações institucionais e governamentais do Itaú Unibanco Luciana Schneider. 

Dos respondentes, 14% indicaram que a organização deve esperar que o profissional que exerce a atividade de Relações Governamentais tenha a combinação dessas três funções: (i) atue como facilitador, (ii) seja estrategista, e (iii) faça a gestão de crise. Já, 11, 46% indicaram essas mesmas opções, acrescentando “protegerá os negócios”. 

 

Características pessoais 

A capacidade de adaptação às diferentes demandas e cenários e de negociação, além de um perfil facilitador dentro as companhias foram indicadas como principais características do profissional que exerce a atividade de relações governamentais (88,16% dos respondentes fez essa citação). Ser resiliente e paciente para trabalhar sob pressão também é outro atributo importante, o que indica que as tarefas cotidianas não são fáceis e simples. Segundo o diretor de assuntos corporativos da Bayer, Christian Lohbauer, o profissional brasileiro precisa ter muita flexibilidade para enfrentar as instabilidades das instituições e cenários diversos do país. 

Além disso, as demandas que chegam às áreas de relações governamentais são os mais diversos e improváveis, desde a elaboração de uma proposta de texto para um projeto de lei, passando pelo agendamento de reuniões de todos os tipos com autoridades públicas. 

 

Instrumentos de Rel Gov 

O processo de defesa e promoção de interesses precisa se basear em conhecimentos técnicos para ser eficiente e eficaz. Antigamente, para se fazer relações governamentais era suficiente ter uma boa agenda de contatos dentro do governo. Atualmente, é fundamental desenvolver um plano estratégico amplo de como utilizar esses contatos para se obter resultados na articulação com o poder público, além de se pensar em ações com outros grupos de interesse. 

A construção e manutenção de rede de contatos continua sendo um instrumento importante de relações governamentais, sendo que 85,35% dos profissionais assinalou essa ferramenta na pesquisa do IRELGOV. Porém, planejamento estratégico (84,71%) e embasamento teórico/técnico (84,71%) vieram logo em seguida. “O papel do profissional que exerce a atividade de relações governamentais é trazer a ciência para a mesa de negociação”, afirmou Helga Meuser, diretora de relações governamentais da Nestlé. 

 

Limites 

A defesa de interesses se defronta com questões éticas constantes, mas a pesquisa do IRELGOV mostra que os profissionais estão muito conscientes sobre os limites de suas atuações. Quase metade dos respondentes indicou que o limite é a “ética” (47,13%), seguida pela legalidade (24,84%). 

A cultura organizacional das companhias funciona como um escudo nas atividades de relações governamentais. Quando questionados sobre quais características das empresas favoreceriam as ações de Relações Governamentais, 22,29% dos respondentes indicou três características conjugadas: governança corporativa, código de conduta transparente, e clareza de estratégia de negócio. Logo depois, com 12,1%, indicaram duas características conjugadas: governança corporativa e clareza de estratégia de negócio. 

Uma questão que foi colocada no questionário: é legítimo atuar em favor de interesses de uma organização, mesmo que estes sejam contrários a interesses de outros grupos sociais? Quase 80% dos respondentes entendeu que sim. Nas justificativas que poderiam ser apresentadas no questionário, alguns respondentes disseram: “a busca essencial é o equilíbrio entre os interesses porem haverá situações onde não há como conciliar todas as demandas”; “a democracia é a resultante do jogo entre os grupos de pressão”; “cada um defende seu interesse e os eventualmente contrariados devem simplesmente ter uma oportunidade igual para a defesa de seus interesses, cabendo aos administradores públicos o julgamento e decisão da melhor política pública”. 

 

Limites da transparência 

Outra questão polêmica proposta no questionário: é possível ser transparente nas relações com o governo, mesmo representando uma organização? Quase 80% dos respondentes disse que é possível. 

 

Regulamentação 

A grande maioria dos profissionais que exercem a atividade de relações governamentais quer que o lobby seja regulamentado no Brasil, revela a pesquisa do IRELGOV. Do total de respondentes, 70,06% respondeu ser favorável à regulamentação, 18,47% disse ser contrário. Durantes os debates realizados na sede da TozziniFreire, a superintendente de relações institucionais e governamentais do Itaú Unibanco Luciana Schneider, defendeu um projeto simples que garanta o acesso democrático e livre à atividade de promoção de interesses junto aos governos. 

A proteção à participação de todos no processo decisório do poder público também foi ressaltada pela diretora de relações governamentais da Nestlé, Helga Meuser. O risco de uma legislação restritiva foi levantado pelo diretor de assuntos corporativos da Bayer, Christian Lohbauer. Segundo ele, propostas que limitem a atividade aos interesses de uma determinada classe seria negativo. 

O presidente do IRELGOV, Erik Camarano, compartilhou as discussões realizadas durante da missão de estudos que o IRELGOV realizou no mês de outubro a Bélgica, conhecendo como é feito o lobby na União Europeia. De acordo com especialistas europeus, a implantação gradual de mecanismos de controle é bastante eficiente. Camarano ressaltou que a regulamentação do lobby não pode ser vista como um instrumento de combate à corrupção, mas implantação de regras que dão mais transparência e segurança nas relações entre o público e o privado. “Não podemos dar o remédio certo para o problema errado”, afirmou. 

 

Papel do IRELGOV 

O IRELGOV é primeiro instituto de relações governamentais do Brasil. Fundada em 2015 por profissionais de exercem atividades de relações governamentais, a entidade sem fins lucrativos tem como principal objetivo elevar o grau de profissionalismo, competência e padrões éticos da atividade ao posicionar-se como um Think Tank para o setor. 

Para isso, está baseado em dois pilares fundamentais – reputação e educação – e nos princípios de legitimidade, legalidade, transparência e boas práticas, trazendo informações relevantes para o dia a dia do profissional, fomentando o diálogo entre os setores da economia e visando desenvolver informação e compreender as tendências do mercado. 

O IRELGOV criou um comitê que está elaborando um manual de boas práticas do setor de relações governamentais. Essa ação está alinhada com a percepção revelada na pesquisa sobre o que esperar de uma associação constituída por profissionais. Auxiliar no fomento de melhores práticas profissionais foi citado por 71,97% dos respondentes. Apoio a iniciativas públicas, tais como a nova Lei Anticorrupção e a regulamentação do lobby, foi citado por 54,77% dos respondentes. Em relação à primeira fase da pesquisa, com os dirigentes empresariais, houve inversão na posição desses dois itens. Apoio a iniciativas públicas apareceu na frente de fomento a melhores práticas.

 

 

 

 

 

 

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